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Do outro lado do Espelho

Chegamos ao mundo como seres capazes de percebê-lo como ele é a partir do centro de nossas experiências sensoriais, cognitivas e culturais. Em algum ponto da nossa existência, percebemos o quão distintos somos de todos, universos de pensamentos, sentimentos, sonhos, temores e anseios à parte. Ao mesmo tempo em que gostamos desta ideia de sermos únicos, passamos a maior parte do tempo tentando nos encaixar em agrupamentos de ideias e rótulos, generalizando e fugindo de sermos generalizados. É exaustivo!


À medida que amadurecemos, da infância à adolescência, somos expostos a um mundo e sociedade de polaridades e diferenças – somos educados que o mundo é feito de binários rígidos, X e Y, bem e mal, igual e diferente, e muito frequentemente acabamos definindo “o que somos” em relação ao que “não somos” completamente baseados em negações. E, assim, infinitas teias de moral, crenças e valores moldam a nossa percepção de forma que o “outro” seja percebido como intrusivo e antagônico.


Esta visão binária é a que descarta toda a gama de cores entre o preto e o branco, alvorada e crepúsculo, e que as pessoas possam ter ideias diferentes sobre o que é Paraíso em vida. Somos programados a encontrar ressonância em binários absolutos e o resultado disso é a escancarada polarização social e a gritante solidão do indivíduo expressa na voz do ódio.


Ao mesmo tempo, alguns indivíduos são mais curiosos sobre o que acontece no mundo entre o salvo e o condenado, que trafegam atentos neste mundo entre a regra e a exceção e se deleitam com um prisma decompondo o branco em cores. Estes santos hereges devem encontrar voz neste projeto de descobrir como podemos criar um espaço-tempo de reflexão e de como juntos podemos tornar nosso mundo um pouquinho melhor.


Artífices da alma, filósofas(os), cientistas da Natureza, místicos(as) e loucos(as), sejam bem-vindos ao Espelho de Circe!