• Paulo T. Vasconcellos

Via Rebellium


National Park Tolhuaca, La Araucanía, Chile. Foto de: @turnnoffyourmind

O modelo cosmogônico astrológico acredita que a Terra fica no centro da Criação, que é limitada por Saturno. De Saturno pra cá é o nosso Universo (afinal, Kronos foi banido para o Tártaro, o limiar do reino dos mortos, por Zeus, não morto). De Saturno pra lá é o lado de fora da Criação (afinal, São Pedro é quem guarda os portões de pérola do Céu - ou saída da Criação).


Via de regra as religiões sugerem um caminho ortoprático ("prática reta") de transcendência. Pode ser amar ao próximo como o filho de deus amou, pode ser não comer carne de porco, ou pode ser fazer a cabeça pro Orixá e cumprir os preceitos. Todas essas são promessas de práticas para transcender a realidade física.


O caminho mágico pretende o funcionamento coerente e integrado de todas as partes espirituais. Os detalhes disso são extremamente discutidos: se a alma tem partes, se são dimensões vibratórias, se corpo e alma brigam entre si ou se são causa e consequência um do outro, nada disso importa. O que importa é que existe a crença na mudança: tudo muda, inclusive o indivíduo.


No modelo astrológico, como dito aqui, acredita-se que a alma passa por sucessivos ciclos de purificação, ascendendo da Terra ao Sol, lá se purificando, e voltando à Terra para fixar as mudanças obtidas até o momento em que não haja mais nada a ser purificado.


Esse processo, acredita-se, não se dá apenas em escala cósmico-dimensional após a morte, mas pode ser replicado na terra. A Alquimia (por muitos relegada a uma metáfora espiritualista) parte desse princípio: tal qual o ser humano, as plantas, minerais e animais podem ser purificados até alcançar sua plena potência.


As operações alquímicas, por exemplo, fazem a separação dos constituintes das plantas pela putrefação (associada a Saturno) e pela destilação e calcinação (associadas ao Sol). O fundamento por trás disso é de que "o que é essencial não morre e nem queima". Após a putrefação e calcinação os elementos puros são recombinados, vivos e mais próximo de sua perfeição.


Todas as operações (espirituais e físicas) mencionadas, porém, partem de uma assunção muito pontual: a Vida não é perfeita e cabe ao magista melhorá-la.


Existem diversos caminhos de espiritualidade e alguns, especialmente no Oriente, trabalham a aceitação da realidade como forma de transcendência. Os caminhos ocidentais, porém, costumam partir do pressuposto de que é necessário um trabalho ativo para se alcançar um determinado objetivo.


A Vida não é perfeita e, deixada à própria sorte, pode piorar. A felicidade não acontece por acaso. Se deixados sem cuidado, seus problemas passarão (por cima de você).


A crença de que outro mundo é possível, mediante esforço, o inconformismo com a realidade, o trabalho pelo aperfeiçoamento, é, resumidamente, o Caminho da Revolta, ou a Via Luciferiana.

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