• Raphael Kakazu

Spoken Word: La Louche



Se é paixão que você procura;

Me toma, se lambuza, eu sou aquele drink feito da erva escura.

Absinto; mistura de artemisia com açúcar, gotejado com água fria.

Me guia. Eu gosto mesmo é quando nossos corpos roçam.

Uma valsa pecaminosa de dois peitos encostados, do jeito que o diabo gosta.

La Louche, soltura, luxúria, aventura.

Olho no olho, espanto.

Sexo com sexo, semântico.

Sua língua quando encontra a minha,

Não é canto.

É encanto.

O erótico de nós dois entrelaçados é como se Eros dissesse:

“Eita, quem dera se eu também pudesse...”

Teus segredos eu guardo no silêncio da noite.

Aquecido entre minhas pernas e por entre meus dedos.

A minha história eu divido. Contigo.

Pele com pele; almíscar e patchouli.

Quem seríamos nós dois? Sem que alguém nos rotule.

A gente se beija, instiga.

A falta, castiga.

A gente se engole. Mastiga.

Sem medo, muito menos culpa;

Volúpia.

Teu bafo quente na minha nuca arrepia,

Meu corpo, sob o mármore do teu, serpenteia.

Eu gosto de ser a aranha; que tece com a sua teia.

Tua voz, baixinha, é um mantra.

Eu, em êxtase, sou tantra.

Nós dois, juntos, somos música, poesia e outras tantas.

Feito o mar que escorre por nossos corpos;

Eu me afogo em suas águas, sem nenhum tipo de remorso.

Repouso na beira da sua praia.

Beijado uma última vez pelo sol e pelas espumas da água.

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