• Raphael Kakazu

Spoken Word: Fênix


Sim... o mundo está caótico;

Sim... a tragédia está batendo em nossas portas;

Sim... eu estou vendo o número de pessoas mortas.

E sim... eu me compadeço por todas as perdas e a falta das mesas fartas.

Não... não há magia que possa resolver.

Dissolver, amortecer, remover...

Nesse momento não há nada que ela possa fazer.

A não ser...

Entreter, esclarecer e te ajudar a entender...

Que o mundo é muito maior que todos nós.

Que nem tudo há de se mudar perante nossa rude voz;

Então, se acalma e aquieta.

Ouve o som do vento pela manhã;

O inverno dando as boas vindas a você e seu clã.

Ouve a Caçada Selvagem anunciando sua vinda.

A horda do Diabo estremecendo a campina.

Ouve os pássaros sem os carros.

Ouve seus próprios passos.

Reconhece seu espaço.

Onde habitou por tantos anos sem realmente ver.

Onde caminhou, vazio, sobrevivendo e nunca sendo...

Um local de descanso ao invés aquele átrio cheio de ranço.

Se reinvente; à imagem da figura que tanto admira;

Segundo os ideais que tanto grita.

Troca de pele; feito cobra.

Joga fora todas essas sobras.

Renasça; feito uma fênix.

Das cinzas do velho mundo;

Rumo a um novo destino menos imundo.

Chora se for preciso; todas as suas perdas e dores.

Meu ombro sempre esteve aqui.

Sem julgamentos ou verbos.

Sem errados ou certos.

E cuidando de ti, eu cuido de mim.

E tu cuidando dos teus, também cuida de mim.

E quem sabe dessa forma, esses dias nebulosos vejam seu fim.

E então, possamos, nós, dar mais valor ao amor.

De uns para com os outros e de todos para com o mundo.

E no amanhecer da primavera...

Espero aquele abraço com palavras menos severas.


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