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Runas na cultura pop: Tolkien e a Terra Média



Dada a proliferação de jogos filmes e séries em evitável que muito jovens tenho passado a conhecer as runas. Neste fim de semana, meus amigos e sócios Rodrigo Grola e Marcos Keller começaram o seu curso EAD “Tarot: Mitos Modernos e Cultura Pop”. E isto me levou a analisar e pensar um pouco sobre onde encontramos as runas numa perspectiva semelhante. E fato que a primeira resposta plausível é analisar os escritos de Tolkien e sua Terra Média.


Tokien, para quem não sabe (apesar de acreditar que não existe na face da Terra alguém que nunca tenha ouvido falar de Tolkien), foi escritor, professor universitário e filólogo, tendo recebido o seu título de Doutor em letras e filologia pela Universidade de Liege e Duvlin, em 1954. Além disso é autor dos renomados livros O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Silmarillion. Aqui vale um ponto de destaque: filologia é o estudo da linguagem em fontes históricas escritas, incluindo literatura, história e linguística. É mais comumente definida como o estudo de textos literários e registros escritos, o estabelecimento de sua autenticidade, sua forma original e a determinação de seu significado. Com todos esses dados, entendemos porque Tolkien era fascinado por criar novas línguas. Sim, Tolkien criou diversas línguas em seus livros, e falaremos um pouco sobre algumas delas. Tolkien criou alfabetos artificiais e semi-artificiais. Alfabetos artificiais são aqueles criados sem a evolução natural da linguagem, tendo suas regras definidas totalmente por um indivíduo ou grupo. Tolkien criou alfabetos (e suas respectivas gramáticas) do zero, gerando toda uma nova gama de caracteres para elas, assim como se baseou em alguns alfabetos existentes para outras. O caso de análise nosso é o Cirth, o alfabeto/língua dos anões da Terra Média. Várias letras possuem seu formato baseado nas runas históricas que temos. Devemos lembrar que todos os alfabetos das tribos germânicas que foram utilizados antes da adoção do alfabeto latino se caracterizam como runas. Logo, para esta análise, devemos considerar as runas Anglo-saxonicas, assim como o Young Futhark e Young Futhork. Seus sons, porém, não seguem a mesma fonética, exceto por algumas vogais. Assim como houve uma evolução das runas nas tribos germânicas, transitando de Elder Futhark para Young Futhark para Young Futhork, as runas da Terra Média tiveram uma mudança parecida: há um alfabeto original, o Certhas, criado pelos Elfos Cinza para a sua língua Sindarin. Esta teria sido extendendida por Angerthas Daeron, o que acabou ficando conhecida como Cirth de Daeron. E posteriormente, houve algumas adaptações feitas pelos homens e pelos anões. Não cabe aqui e nem é a intenção deste texto falar sobre as diversas técnicas ou ideias empregadas por Tolkien em sua criação. Afinal, como disse anteriormente, apenas as formas das runas forma usadas de forma semelhante. Mas não podemos retirar o valor que a obra possui. Diversas pessoas ao redor do mundo tiveram o seu primeiro contato com o mapa apresentado n’O Hobbit, onde podemos ver, através de mágica, uma inscrição em Cirth. Apesar de não ser o alfabeto rúnico como conhecemos, o livro/filme deixam essa ideia de forma bem clara. E talvez aí podemos considerar o início do namoro de várias pessoas com essa cultura.

Então podemos considerar elas para estudos?


Minha resposta depende muito da resposta para uma outra pergunta: que tipo de estudo? Caso você esteja se referindo a estudo da cultura proposta por Tolkien e seus livros, vá em frente. Porém temos de frisar que elas não possuem valor histórico. Da Mesma forma, não podemos considerar elas para qualquer tipo de trabalho dito magístico. Para tais propostas, o mais recomendável seria trabalhar com o Elder Futhark. Alguns estudos indicam que o Young Futhork teria sido o mais utilizado para escritos, incluindo inscrições em items com intuitos mágicos.

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