• Paulo T. Vasconcellos

Por uma Espiritualidade mais Espiritual.




Eu sou um ardoroso defensor do estudo, não entendam o contrário em momento algum.


Especialmente em matéria de estudos ocultistas e hermetistas, a pesquisa, a prática, o estudo e a leitura são fundamentais. A associação a uma Ordem, Casa, Religião, Tradição ou o que quer que seja é relevante e a orientação advinda de uma figura de autoridade é de valor inestimável e, mesmo quando inexiste uma tutela formal, pequenos pedaços de conhecimento vindos de pares ou amigos, ocasionalmente, ajudam a completar um quebra-cabeça de uma figura muito mais ampla.


Porém, deve ser dito: O Conhecimento Espiritual é de Natureza Espiritual e a Magia é de Natureza Mágica.


O óbvio é ululante e sua verbalização, assim, plana e bidimensional, padece da falta de sutileza, finesse e sofisticação. De fato, para piorar, algumas coisas só parecem verdade porque são bonitas ou porque apelam aos nossos vieses ideológicos.


Porém, o choque de realidade é importante: Não somos pouco iluminados, poderosos, competentes ou sábios por falta de estudo, conhecimento, iniciações ou acesso a ordens mágicas.


Somos quem somos porque a magia encontra um caminho.


O problema não é o índex do vaticano, o incêndio da biblioteca de Alexandria, a diáspora Africana, a derrubada do Templo de Salomão, a falta de PDFs na internet ou qualquer outra situação nociva. Não seríamos mais bruxos se tivéssemos nascido na Inglaterra, na Índia ou no Egito.


Diga-se de passagem, o IDH da Índia sugere exatamente o contrário.


Não vivemos nossas vidas no Estado em que se encontram porque os Iluminatti escondem uma grande conspiração de reptilianos que colocam flúor na água para calcificar as glândulas pineais. O maior problema de nossas vidas não é a teoria da conspiração que nos mantém ignorantes, é que somos protagonistas bem mais ou menos.


Não quero deixar essa sugestão meramente solta, sem evidências de que (ainda que lentamente e bem devagar) a solução dos problemas está ao alcance da mão, como uma erva que nasce no jardim e é arrancada por ser tida como daninha.


Deixo como evidência a pergunta: quantas vezes um livro, poema ou música demorou para ser entendido ou foi mal interpretado em virtude de imaturidade ou distração?


Quantas vezes um pedaço de informação restou intocado até finalmente fazer sentido?


Quantas vezes um livro foi relido até ser compreendido de uma forma completamente diversa do originalmente entendido.


Quantas vezes a mesma frase foi ouvida repetida até que, de repente, ela foi ouvida pela primeira vez?


O conhecimento espiritual é espiritual e o conhecimento mágico é mágico e essa é a beleza: eles encontram um caminho.


Sempre nascerão ervas e cogumelos, sempre haverá água do mar, sempre haverá solstícios e equinócios. Se os livros forem queimados, ainda restarão as paredes de banheiro e as folhas que o outono leva ao chão. Se os mestres forem executados, restarão as almas dos mortos.


É muita falta de fé achar que o que é importante está escondido em uma biblioteca trancada.

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