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  • Eduardo Regis

O que seria de Gotham City se o Batman tivesse Burnout?

Estive pensando que o melhor seria desistir de vez. Jogar um quilo de chumbinho no mingau e comer quentinho. Pode até ser que fique mais gostoso. Ando cansado de tudo. É difícil trabalhar pra viver e viver sem tempo pra nada por estar trabalhando pra viver. Parece que vivo pra viver e esqueço de curtir a experiência. Tipo a galera que tira selfie do show e posta no Instagram e quando repara já perdeu o show todo. Claro que se for sertanejo universitário é uma benção disfarçada de maldição. O que seria de Gotham City se o Batman tivesse Burnout? Só consigo pensar nisso quando tenho uma folga. Gente, isso não é normal. Isso é coisa de quem não tá certo da cabeça. 7 horas toca o bip pra levantar. Quando dá 11 tenho fome, mas tá cedo pra almoçar. Chega as 15 quero ir embora, mas lembro que em casa tem louça. Uma pílula pra ser menos chato. Outra pra sorrir mais gostoso. Duas pra dormir sem pesadelos com o governo. Toma ginseng pra dar energia. Academia, meu médico mandou. Estuda mais, você ainda não se doutorou. Ganhar dinheiro? Não trabalhamos com isso aqui não, senhor. Felicidade? Só nos livros do Augusto Cury. Tem a Monja também. O boletim do seu relógio biológico informa: tá na hora de ter filho. Tomar no cu, relógio. Tenho dinheiro nem pra pagar smartfit, vou pagar creche como? Só se vender o corpo que não vai valer muito, pois não consigo pagar a smartfit. É o tal do círculo "viva o gordo". Mata o rato. Seca o rato. Seca mais que Herbalife? Aposto que o Batman iria pro Asilo Arkham. Aliás, tá aí um cara que não precisa de smartfit. Correr pelos prédios em Gotham City deve ser top pra dar barriga tanquinho. Pra ele secar, precisa nem de chumbinho. Seca o rato. Mata o rato. E o morcego, o rato de asas? Talvez seja melhor só me jogar da Ponte Rio-Niterói. Um salto ornamental fantástico com um trauma crânio encefálico pra fechar, águas nos pulmões, agonia e, finalmente, morte. "Que talvez seja o segredo dessa vida", já cantou Raul. Chamar o Raul, por sinal, pode salvar do chumbinho. Chamar o Paulo Coelho também, que pode transformar o chumbinho em ourinho e aí um suicídio vira um acertar de mega-sena. Meio que o oposto. Mas... Gente... Sério...O que seria de Gotham City se o Batman tivesse Burnout? Talvez eu devesse me vestir de morcego e sair por aí socando palhaços. Seriam tantos. Só de pensar, já desanimo. Eu poderia começar comigo mesmo. Palhaço sem platéia, encerrando o espetáculo. Melhor fazer aquele mingau. Mata e seca o rato (de asas).