• Katy Frisvold

O Feitiço fatal


Este é um assunto fadado a tomar tiro à direita ou esquerda, mas não vou me furtar de trazê-lo à baila. Afinal, é só o que eu acho e uma das coisas que eu também acho é que ninguém deveria me levar a sério, afinal falar de bruxaria é o mesmo que falar da cor da magia, cada um vai temperar com seu arco-íris preferido. Então se vou falar de feitiço, devo fazê-lo a partir do que concebo para mim.


Eu vivo de acordo com um determinado jogo de regras auto-impostas, criado através da minha experiência de mundo e do que eu posso observar na Natureza: na minha, na dos outros e no entorno de todos nós. E eu sou firme com as minhas regras na medida do possível, até que esta regra seja desafiada por alguma experiência transformadora ou pelo simples bom senso. A gente aprende que esta medida de firmeza e flexibilidade é necessária para que possamos acompanhar o tempo e o mundo sem perdermos a nossa essência.


Mas não se engane com minha fala mansa, eu sou capaz de feitos catastróficos, e na mesma medida que posso auto sabotar e autodestruir, eu sou capaz de estender este feito aos outros lindamente.

A questão para mim começa na eleição de um opositor digno: alguém que tenha a capacidade real de pisar nos meus calos que mereça um feitiço, meu gasto energético, de tempo e de material. Na imensa maioria das vezes fico aborrecida temporariamente, mas raramente fico emputecida com alguém. Se ficar, em 99% dos casos desta raridade, vejo que é uma simples questão de ignorar e ver a natureza cuidar, porque muita gente faz o favor de se ferrar muito bem sozinha, muito obrigada, sem a ajuda de ninguém.


Mas vamos lá, aquele 1% que me ensandece, e faz com que o sangue surja nos olhos...


...E a questão fica ainda mais complicada ainda, afinal, o que esta pessoa fez para me atingir tão intensamente? Será que me confundi com minhas crenças pessoais a ponto de sentir que a “fala/opinião” deste oponente é uma afronta e um ataque pessoal? E se me senti atacada, a acusação é verdadeira até que ponto? E quem é este oponente na fila da minha padaria? Será que alguém consegue mesmo pensar com clareza e distanciamento quando está muito brava? Que poder é esse que estou dando a este sujeito?


Eu não presto atenção aos tolos que falam sozinhos na rua, e acho também que todo mundo é o cuzão de alguém. Mentiras podem me deixar desolada, mas as mentiras, danadas, têm esta mania estranha de brilharem e esticarem seus dedinhos sob a luz do dia...


E daí muito daquele 1% já caiu por terra. Já foi, página virada.

Restam então aqueles que mexem com aqueles que amo, as minhas fortalezas na vida, e assim, seja material, moral ou espiritualmente, eu ainda prefiro colocar meus amados para frente, a um passo adiante de seus oponentes para que possamos rir um pouco disso tudo lá na beira do rio.


O que eu queria mesmo dizer é que pode ser que surja um dia um bom motivo para que eu dane a vida de alguém num feitiço fatal. Até agora não vi nenhum, e embora tenha feito isso no passado por motivos que nem eram tão bons, posteriormente tive problemas em afirmar qualquer diferença entre a minha pessoa e estes oponentes: era só um desvio de consciência com endereço diferente. E o problema em desviar da consciência é desviar de desafios, e quando a gente não quer enfrentar é só esperar para vê-los retornar com qualquer roupagem que for conveniente para pisar nos nossos mais doloridos calos.


No fim das contas, eu sou eu, mas sou você e sou até o Bolsonaro. Somos todos “Natureza” e todo mundo é o maldito e bendito espelho. Dá engulhos, eu sei, mas se há tanto esforço para ver o cara cair, não seria melhor fazer este esforço todo para você melhorar? Afinal, para que o povo ganhe anticorpos vamos ter que encarar a doença e isso é fato, lei natural de qualquer criatura novinha quanto é esta nação. O que não dá é para a gente perder a cabeça e criar distrações como estas de odiar os outros. Deixe que os odientos odeiem. Faz mal para o fígado. Quanto mais babões e espumentos, menos tempo teremos que aguentar estas presenças desagradáveis. É fácil destruir. Difícil mesmo é se encarar no espelho e tomar a atitude certa que vai te levar pra frente. No mínimo, é mais solitário já que a voz do ódio é sempre mais alta.

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