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  • Ingrid Gründig

O Espiritualizado Animal Social


Arte por Collin Elder

Defina espírito, e você terá o sopro, a voz, a palavra, o nome, a vida, a essência e potência. É a qualidade essencial que vive dentro da matéria, ao mesmo tempo em que a transcende, tal qual a fumaça que escapa entre os dedos das mãos e toca ao “Todo da Criação” de onde faz parte. O espírito precipitado da carne é um suspiro de morte, o calor elevado ao ar, enquanto a carne retorna ao útero da terra para novamente tornar-se, num eterno devir de planta que alimenta todos os animais, e dentre eles, todos os homens e mulheres.


Propósito e significado


Espiritualidade é a investigação da verdade de nossa qualidade essencial e transcendental, é a busca do sentimento de pertencimento ao “Todo da Criação”. É a busca do propósito que nos move rumo aos desafios da vida e o nosso significado dentro da jornada humana: se cada palavra, pensamento e ação edificam ou destroem, e o impacto que isso causa em outras gerações. Nos desafios do Homem-Macaco, a única certeza é a morte. E a brevidade da vida.


“Todo” não é um conceito, “Todo” é “Todo” mesmo. E o “Todo” é generoso porque ele abunda com tudo o que posso ver, sentir e ouvir, e até com aquilo que não consigo enxergar em sua imensidão. Como um grão de areia o ser humano é capaz de duvidar que haja mais do que praia e mar. Onde eu termino e começa você?


A Ciência é a investigadora de todas as maravilhas que conseguimos perceber e a Espiritualidade é a investigadora de todas as maravilhas que conseguimos conceber com a mente criativa presenteada à nossa espécie dentre tantas que povoam o planeta. O sentimento de arrebatamento ante o “Todo” é a nossa linguagem.


Espiritualidade independe de religião.


Dentre as tribos religiosas dos humanos, dogmas e doutrinas andam de mãos dadas para controlar a experiência humana. Alguns libertam o ser humano para que ele possa florescer em todo o seu potencial, enquanto outros oferecem algemas de danação eterna. Faz parte a livre escolha de cada um, e cada um deve saber do que mais precisa. Um acelerador ou um freio.


Partindo desta visão de mundo, eu entendo que a humanidade tenha em si a capacidade de ter uma vida aborrecida e uma morte idiota, e por mim tudo bem, afinal temos serventia até para adubar a terra que alimentará a próxima geração de espíritos curiosos. Macaco vê, macaco quer. Macaco grande que bate no macaquinho. Mãe macaca e seus macaquinhos. A outra macaca, safada, está andando com todos os macacos. Macaco lambendo macaco. Macaco bravo. Nem a tribo de macacos vive em paz.


O reino do “Todo” está na gritaria e no silêncio, mas é no êxtase de criar que encontramos o que mais há de sagrado em nossa existência. Pequena morte, união e morte, Eros e Tânatos. Em vida somos todos um, mas é na morte em que isso é mais palpável. É a generosidade final do “Todo”. Homens e mulheres, gentes de todas as cores, preferências e emoções. Espiritualidade é para nos lembrarmos disso.


Como seres espirituais, podemos escolher examinar o núcleo dos nossos desafios e avaliar o que as coisas são e para que elas servem neste mundo cheio de construções sociais e econômicas que pretensiosamente aplicam valores e qualidades ao espírito. Inversamente, o movimento para real mudança no tecido da realidade é interno.


Vivemos em um mundo tremendamente polarizado e cheio de segregações nos dois polos. Ninguém quer ouvir ninguém e todo mundo tem sua razão. Estamos num mundo de iguais-diferentes. E ninguém pensa no quanto o complemento do ruído é o silêncio e não “mais barulho”. Hoje o dever civil impõe ao espiritual a carga de uma consciência ferida e virulenta, e aos que abençoam , o olho que julga o próximo e o amaldiçoa.


Muito espaço para a luta, mas nenhum para amor, apesar de toda uma multidão de religiosos dos mais variados tipos declarar que seu Criador é um de Amor. Os macacos continuam usando paus e pedras. E ninguém parece que aprendeu o que é Amor, nem em casa, seja quem for, onde for ou que caminho segue. Se tivessem, não estariam mais carregando tanto pau e nem tanta pedra.



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