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  • Katy Frisvold

Magia pessoal e Intercessores espirituais

O Grande Dragão Vermelho e a Mulher Vestida - William Blake

Particularmente, gosto da abordagem pragmática com a qual as novas magistas e bruxas realizam seus trabalhos, afinal toda a magia num nível individual começa com uma boa dose de fetichismo lançado ao subconsciente e um desejo ardente do consciente. Este é o tipo de “magia pessoal” que é geralmente ignorada, mas que em minha opinião deveria ser analisada cuidadosamente antes de nos aventurarmos no reino de “forças externas”.


Este é também um trabalho de autoconhecimento, pois conhecer a linguagem do subconsciente (ok, vamos admitir, “inconsciente” não faz o menor sentido) é uma de paisagens oníricas (sonhos) e símbolos que nem sempre são tão universais que possibilitem muita receita de bolo. Pode levar anos até que você aprenda a unir consciente e subconsciente para obter um resultado energético prático, até mesmo porque um trabalho assim implica num bocado de honestidade consigo mesmo e uma boa dose de renúncia às inclinações que são contrárias à sua verdadeira natureza. Ou seja, as dissonâncias cognitivas¹ são drenos perversos de poder pessoal.


Dito isto, é com alguma frustração que percebo o quanto pessoas forjam relacionamentos espirituais com forças externas que são simplesmente ilusórias. Puro placebo. Vou explicar.

Voltemos ao axioma da magia: "O que está em cima é como o que está embaixo. O que está dentro é como o que está fora." – Aos mais desavisados, basta um“assim na terra como no céu” para começarmos a entender este papo.


Esta relação implica que o mundo espiritual não difere do mundo físico, e eu, assim como a grande maioria das pessoas, não faria um favor a qualquer estranho que batesse à minha porta, mesmo que eu achasse a pessoa interessante ou que ela me oferecesse algo que “ela acha interessante” em troca.


No mínimo eu teria que criar um elo com aquela pessoa, um relacionamento com direito a tempo e energia despendidos em nos conhecermos. Esta pessoa teria que saber das minhas necessidades, do meu jeito, de como acontecem os pequenos rituais sociais na minha casa, etc. E quando o momento chegasse, onde um favor é pedido, eu o faria de bom grado. Não sem pedir em troca, porque todo relacionamento é baseado nesta troca energética. Eu lavo suas mãos e você as minhas. Não ficaria feliz em saber que as pessoas “trabalham” comigo sem que para isso haja um “contrato” formal, uma afiliação, um patronato.


E mais, nem toda relação, seja ela bem humana ou supra-humana, é necessariamente boa para a gente. Da mesma forma em que existem relacionamentos humanos tóxicos, não é incomum encontrar pessoas em relacionamentos espirituais tóxicos ou no mínimo, disfuncionais.


Mas ok. Esta sou eu. Você pode até achar que deuses, espíritos, gênios e elementais são diferentes, que aceitem suas assinaturas, runas e glifos melecadas de mel, ou sangue ou sêmen e que um ritual teatralizado e mentalizado bastaria. Afinal, tudo mora na mente mesmo que a gente não entenda bem desta parada. E “pá” isto tem funcionado para você.

Você pode prontamente me ignorar. Ou não...


... e começar a repensar na sua magia pessoal antes de se aventurar em um mundo com tantas coisas fantásticas e perigosas quanto a sua própria mente pode conceber.

Simples escolha. Boa sorte!


¹ (Festin,1957) “quando uma pessoa possui uma opinião ou um comportamento que não condiz com o que pensa de si, das suas opiniões ou comportamentos vai ocorrer dissonância. Quando os elementos dissonantes são de igual relevância ou importantes para o indivíduo, o número de cognições inconsistentes determinará o tamanho da dissonância”

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