• Paulo T. Vasconcellos

Entropia.





Entropia é uma grandeza física que visa medir o grau de desorganização de um sistema termodinâmico, entendendo-se este como uma região delimitada do universo na qual se estudarão os eventos termodinâmicos. A a desordem de um sistema é dada pela função logaritmo do número de microestados acessíveis dadas as restrições impostas ao mesmo. Aumentar a desordem é aumentar o número de micro-estados acessíveis a determinada partícula. Em um baralho de 54 cartas, perfeitamente alinhado em sua sequência de naipes, números e arcanos, temos que o nível de entropia é zero. Caso se permita que uma carta mude de posição, o valor de entropia do sistema sobe a 54. Aumentar a entropia de um determinado sistema é aumentar a possibilidade de configurações de micro-estados. Os sistemas termodinâmicos são divididos em abertos ou fechados (dependendo da troca de matéria ou energia com o meio) e equilibrados ou não (sendo que os sistemas equilibrados não mudam com o tempo). Pela primeira Lei da Termodinâmica, a energia de um sistema tende a se manter num somatório de Trabalho e Calor constante. Dentro dos sistemas termodinâmicos é de interesse especial o conceito de sistemas reversível e irreversível, sabendo-se que em um sistema reversível é possível retornar-se ao Estado Inicial. A Entropia é entendida, também, no senso comum, como o grau de desordem de uma determinada situação, graduando a transição entre Ordem e Caos. A Entropia Zero seria a Ordem Perfeita, enquanto a Entropia Infinita seria associada ao Caos Absoluto. Organizar significa diminuir a Entropia do Sistema. Tribos que possuíam Leis casuísticas (Se minha galinha atravessa a estrada e põe um ovo do outro lado, de quem é o ovo?). Sociedades complexas passam a Leis Abstratas de organização geral (O Acessório segue o Principal, o dono da galinha é dono do ovo). O Universo também é um sistema termodinâmico (onde trabalho e temperatura permanecem num somatório constante). Porém, como o Universo está expandindo, a entropia está reduzindo: saímos do caos absoluto do Big Bang para uma organização crescente do Cosmos com a formação de estrelas, planetas, nebulosas, etc. Crê-se que saímos do caos absoluto, em que toda energia estava concentrada em uma única singularidade, e, um dia, o Universo se tornará perfeitamente organizado, espalhando toda a sua temperatura pelo infinito, tendendo ao Zero Absoluto. O Universo tende à Organização. A Organização, enquanto diminuição no nível de entropia, é uma diminuição nos micro-estados acessíveis ao sistema, reduzindo a possibilidade de organização das partículas, tal qual loucos, presos em um asilo, vendo as possibilidades reduzirem-se não por drogas ou eletrochoques, mas pelo frio e congelamento dos átomos, pois o frio é a mais terrível prisão, que impede o aumento da entropia, impedindo o aumento da temperatura que queima limites dobra leis e foge da cristalização da forma dos limites das possibilidades da criação e da criatividade, enfrentando os organizadores, maestros guiando a orquestra com sua baqueta e óculos de tartaruga e anel de ouro formado no coração das estrelas, pois só a gravidade e calor do coração das estrelas permite que a matéria se condense tão densa rompendo as fronteiras que separam um átomo do outro fundindo a pele e estourando a camisinha de elétrons permitindo a fusão dos núcleos que dá origem ao novo e se espalham em supernovas destruindo as órbitas e planos e planetas, aumentando a liberdade pois toda entropia aumenta quando se destroem as cercas as fronteiras as regras os limites os planos cartesianos e os planos infalíveis planejados por quem fala elado, que merecem ser queimados como todos os mapas corretos que cagam fronteiras e quintais e todas as demais micro-fascistas regras de classificação e organização fria e estagnada que separam você do seu vizinho do pai de todos do Alfa do Ômega do certo do errado do dentro do fora do que está mais dentro e do que está mais fora das casas e das rodas zodiacais que deveriam ser discos de Newton e que Newton descanse em paz onde quer que esteja em uma maçã em uma andorinha ou em um átomo bailarino rodopiando pela atmosfera tal qual um Coringa que despreza as regras e se intromete em qualquer baralho perfeito de 54 cartas rindo risonho e queimando ardente fugindo do Batman que só come o Robin e chora no armário a morte do papai e da mamãe puta imperativo categórico que de aleijado é muleta e de órfão é tristeza que justifica o desespero frente ao Caos e a luta pelas regras que ele nem sabe quem fez desesperado por uma bandeira quando não deveriam existir países cego pras grades tal qual um morcego que nem é vampiro mas pelo menos não é gelado e nem brilha no Sol nossa fonte de calor junto com o centro da Terra que surpreende ardente com um jorro de lava na sala de uma palhoça nas encostas de um vulcão na indonésia como um gozo de lava quente precocemente ejaculado ou antecipadamente parido de um útero radioativo que decai lentamente caindo pelas tabelas periódicas pra lá de Marrakesh bêbado como um gambá cheio de água ardente pra aquecer um sistema termodinâmico que quer se expandir sem perder calor e abraçar o mundo pra esfregar a última liberdade do coração quente como um cristal de ferro que não se derrete apesar do calor apenas por causa da infinita pressão das cobertas e do manto e da crosta de terra que é uma casca ou concha da água salgada do mar que tenta penetrar por todas as fendas nas mais fundas das fossas onde peixes estranhos te olham curiosos.

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