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  • Raphael Kakazu

Ensaios: A “Boa” Sorte



“A sorte ajuda os audazes.”

Dentre todos os fatores que levam o ser humano a recorrer ao sobrenatural para mudar o destino ou curso dos acontecimentos encontramos na maior parte tópicos como amor, prosperidade, dinheiro, fama, saúde, dominação, malefício e afins. É intrínseco a crença maniqueísta sobre o destino e a dualidade do bom e mau e/ou bem e mal.


Aos aventureiros do caminho torto, a magia se apresenta como um fator capaz de intervir nesse algoritmo, aparentemente, imutável e imodificável. Ela concede ao ser humano o poder de modificar o destino; mas será isso mesmo que a magia faz? Seria ela a arma dos indomados para moldar a vida da maneira que se deseja?


Óbvio que não. E é sobre isso que quero discorrer com vocês nesse ensaio.

“Feliz aquele que conseguiu compreender a causa das coisas.”

Magia é a capacidade de alterar e/ou modificar as probabilidades do futuro. E por futuro, entendemos a não linearidade do mesmo; vemos o futuro como um leque de possibilidades onde cada rumo possui seu nível de agrado dentro do nosso ponto de vista. Então, um feitiço, uma magia, não irá criar uma realidade do zero, ele irá brincar com a harpa do destino, trabalhando a probabilidade que mais nos agrada.


Logo, podemos por em destaque uma qualidade muito subjugada nos trabalhos mágicos: a sorte. E por sorte entendemos que esta é uma força incontrolável, imparcial e sem propósito específico que se molda a um indivíduo, grupo ou causa. *


Então, podemos refletir sobre a maneira como estamos trabalhando magicamente. Eu preciso de um feitiço para encontrar um novo amor? Um trabalho melhor? Ou eu apenas preciso de “boa” sorte no meu caminho.

“Se eu não puder mover os céus, moverei o inferno.”

Para os romanos a personificação da boa sorte era Bona Fortuna, esposa e irmã de Bonus Eventus, o resultado favorável. E ambos criam um paradoxo interessante de ser analisado. Podemos começar a ver “boa sorte” como essa força sem direcionamento que pode nos atingir de forma favorável ou não; e que no fim foi a “boa sorte” de alguém; motivo pelo qual eu, particularmente, não dualizo a sorte em boa ou má. O resultado favorável é aquilo que vai direcionar a sorte para que ela aja ao nosso favor, se tornando a “boa sorte” para nós.


Viram, como é complexo quando esmiuçamos esse pensamento em torno da boa e má sorte? Nada é tão bem pautado em apenas duas definições quando vemos o mundo como o campo das possibilidades. E bruxaria é isso, enxergar o mundo como um campo de possibilidades a ser descoberto e construído.


E a essa altura, acredito eu, que podemos resumir grande parte dos nossos “problemas” como uma falta de direcionamento da “boa sorte”. Por que se conseguimos conquistar algo e esse algo não exatamente aquilo que idealizamos, você não precisa de conquistas, você precisa de sorte para que conquiste aquilo que supra sua necessidade. Certo?

“Há vários lobos dentro de mim, mas todos eles uivam para a mesma lua.“

E o que nesse universo de bruxas e feiticeiras estão ligados à boa sorte? Vou listar aqui alguns cúrios que acho interessantes de serem trabalhados.


Trevo de Quatro Folhas: Esse trevo é uma anomalia apresentada pela espécie de três folhas. Logo, não acredito que aquela muda modificada do trevo de quatro folhas irá fazer grandes coisas para ti além de um efeito placebo. O trevo de quatro folhas que acreditam ser ligado a boa sorte é aquele encontrado entre os trevos comuns. Então comece a prestar atenção naquele aglomerado de mato que ninguém mais presta, porque você acabar encontrando um bom cúrio da boa sorte.


Wishbone: Também chamado de Fúrcula ou Osso da sorte é um osso bidurcado encontrado em aves e a sua formação se deve pelo fato de ser uma fusão de duas clavículas, isso de deu pelo fato desse osso tornas as aves mais resistentes aos rigores do voo. Esse pode ser um cúrio muito interessante quando encontrado inteiro, sem estar quebrado devido à sua fragilidade.


Cornicello: Ou chifre italiano é um famoso amuleto de boa sorte. Ele consiste em um pedaço de coral vermelho que possui a forma de um chifre. Ele se tornou bastante popular e hoje não é algo difícil de ser encontrado em diversos materiais como vidro, prata, ouro, estanho, e etc. Eu prefiro aqueles que sejam corais devido à sua origem, mas cada um é cada um e sintam-se à vontade para aquilo que for mais confortável.


Ferradura: Com as pontas para cima, é um dos amuletos famosos também ditos capazes de trazer boa sorte ao seu portador. Originalmente, pendurado acima de portas, hoje encontramos ferraduras em joalherias, berloques e adereços de uso cotidiano. O que há por trás disso é a crença de que a ferradura atua como um imã de boa sorte.


Moedas da boa sorte: Quando você encontrar uma moeda com a face virada para cima atente-se pois a boa sorte está rondando você. Pegue-a e leve-a consigo como um amuleto. Moedas do I-Ching também são consideradas portadoras da boa sorte.


Use sua imaginação quanto ao que fazer com eles, seja levar no bolso ou confeccionar um amuleto é sempre bom colocarmos nossa criatividade em nossos feitiços. E quem ilustrou nosso ensaio hoje foi Virgílio, um poeta romano que ficou famoso através da obra “Eneida”, mas que também escreveu “As Bucólicas”.


* A definição de sorte que usei é proveniente do pensamento do escritor Max Gunther, autor do best-seller “Os Axiomas de Zurique” e do livro “O Fator Sorte”.


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