• Dr. Facilier

Brincadeiras e “receitinhas”


Bosch Tarot

Vocês não sabem das últimas! Quanta pedrada eu levei!


Embora eu tenha feito questão de dizer que carrego minhas cartas de tarô como fiéis companheiras há décadas, não faltou quem tenha me xingado de tudo quanto é nome... Ignorante e charlatão foi pouco!


Afinal, quem sou eu, um “macumbeiro” analfabeto, para falar mal dos Excelsos Mistérios Iniciáticos dos Arcanos Misteriosos do Tarô? Bom, para mim, analfabeto (funcional) é quem não sabe compreender a sutileza de um texto, ler suas entrelinhas e entender que uma boa pitada de humor ajuda mais a transmitir uma ideia do que muito discurso acadêmico embolorado...


E não faltou também quem dissesse: “ora, se ele propôs às pessoas que “brincassem” com as cartas, vamos deixá-lo com “suas nêgas” e fiquemos com nossos Augustos Arcanos Tarosóficos...”


Ora, ora, Eminentes e Poderosos Tarósofos... Foi só em 1910, com a edição do baralho de tarô de Arthur Edward Waite e Pamella Colman Smith, que o Arcano I assumiu o nome e o status de mago cerimonial. Antes disso, todos os tarôs clássicos traziam a imagem do Bateleur ou Joueur de Gobelets (francês), do Jugler (inglês) ou do Baggato (italiano), indicando o pelotiqueiro, o malabarista, o prestidigitador e o saltimbanco das feiras medievais. A partir daí, a importante atribuição de brincadeira (e de trapaça) associada a essa carta quase que se perdeu.


Apesar de os Senhores Tarósofos provavelmente não conseguirem se lembrar disso, pois seu deus cristão é um velho chato e resmungão, muitas culturas antigas viam a divindade como um alegre participante de um grande jogo cósmico, que sem esforço criou e mantém o universo num estado de perpétua alegria e êxtase. O Krishna dos hindus está eternamente brincando no seu Maha Lila (e se parar de brincar, o mundo se desvanecerá instantaneamente). E Jesus disse que somente as criancinhas alcançariam o Reino dos Céus (saiba-se lá que raios seria isso...).


Se até eu, um mero cartomante hoodoo, sei dessas coisas, admira-me que os doutos as desconheçam... Mas, bem, já cuidei das línguas compridas acendendo, em sua intenção, uma vela vermelha e nela espetando vários cravos-da-índia! Mas posso ser um pouquinho mais drástico... hehehe


Enfim, dados os meus “recados”, vamos ao que interessa: cartomancia!


A primeira e mais importante coisa que você deve saber é que naipes vermelhos são positivos e naipes pretos são negativos. Num primeiro momento, isso quer dizer que Copas e Ouros respondem SIM, enquanto Paus ♣ e Espadas ♠ respondem NÃO.


E com isso e só com isso (só???) já podemos começar a brincadeira: embaralhe suas cartas enquanto formula uma pergunta em voz alta ou mentalmente, desde que essa questão possa ser respondida com um SIM ou com um NÃO. Corte o baralho, tire três cartas e interprete-as assim:


- Três cartas vermelhas: SIM

- Duas cartas vermelhas e uma preta: SIM, mas as coisas podem mudar

- Duas cartas pretas e uma vermelha: NÃO, mas você pode fazer algo para mudar isso.

- Três cartas pretas: NÃO


Ou seja, se você obtiver uma maioria de cartas vermelhas ou de cartas pretas, o sim ou o não da resposta são provisórios e frágeis. Isso quer dizer que você não deve sair comemorando ou lamentando o prognóstico. Reflita sobre o que pode fazer para mudar a situação ou impedir que ela seja alterada. Mais para frente, vou ensinar como interpretar essas três cartas a partir dos seus números e figuras, para que você possa aprofundar a sua mensagem.


Pronto! Você já pode fazer mais com isso do que muito tarosofista que não consegue dar uma única resposta concreta com seus Arcanos.


E se você gostou, aí vai um “brinde” descoberto pelo Reverendo Hyatt, na década de 30, em suas pesquisas sobre a magia popular norte-americana: se você quiser saber se um desejo se realizará, embaralhe as cartas com essa intenção e, depois, vá deitando-as uma a uma. Se, nessa sequência, primeiramente aparecer um Ás preto (♣ ou ♠), pode tirar seu cavalinho da chuva, mas se vier primeiro um Ás vermelho ( ou ), comece a dar piruetas!


Por sinal, para quem ficou curioso com o desenrolar da história da minha cliente corneada pelo marido botequeiro, ela o confrontou e houve aquele “arranca rabo”... Agora, ela me pediu uma “receitinha” para se livrar dele e abrir caminho para que a fila ande.


Eu disse a ela: “Mam, compre uma faca de aço nova e arrume um limão fresco. Então, sem que seu homem perceba, vá cortando pedaços do limão e jogando no rastro dele, enquanto diz - em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, eu nunca mais quero ver (fulano). Se o homem descobrir, bofetões à parte, faça tudo de novo (e compre outra faca).”


Se não surtir efeito, vou ensinar a ela algo mais picante e, digamos, menos “piedoso”. Aguardem!

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